terça-feira, 14 de outubro de 2008

F5


Estou atualizando minha vida. Como passa o tempo e "notícia velha irrita muita gente", eu procuro atualizar minha vida a cada momento.


"Dar um F5" é ter a certeza de que algo de bom aconteceu naquela situação que estava parada na janela do meu "Windows".


Às vezes, no ato de atualizar, "dar F5", encontro situações que "não respondem ao sistema". Situações que "travam" outros "programas". Privam-me de ter acesso aos meus relacionamentos. Nessa hora é preciso ter coragem de dar um "Ctrl + Alt + Del", bloquear situações, fechar janelas. E se preciso for, "desligar" ou fazer "logoff".


Lembro-me do passado como um aprendizado, não como uma prisão; vivo o presente semeando no hoje os frutos do amanhã. E deixo "arquivado" aquilo que me promove como pessoa. Revejo atitudes, analiso se algo não precisa ser mudado; se descobrir que sim, procuro não me envolver com a angústia, e sim, com a serenidade que é o primeiro passo para que a mudança ocorra.


"Lixeiras" também precisam ser esvaziadas. É preciso ter coragem de "formatar" nossa história. Só o fato de termos esperança, faz com que nos predamos ao nosso passado de forma visceral. Vivo o luto, porque se não chorarmos nossas dores, não podemos fechar um ciclo e iniciar outro, e a vida é constante renovação.


Então, não paralisemos nossos passos nem nos tornemos descrentes; aprendamos a viver. Um novo "comando" pode ser dado!


"Aumente a memória de seu relacionamento com Deus e compartilhe com os que ama aquilo que foi registrado em seu coração".


Creia: ser gente é ter capacidade de dar "ESC" quando precisar; "F5" a cada dia, e também "reiniciar" quando tudo deu errado, na certeza de que novas "janelas" lhe são oferecidas.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Procedimentos

Não sou desses que vivem um eterno teatro, onde esquecem que nem sempre o espetáculo não prenderá o olhar do público. Também não sou daqueles de prestar atenção ao besteirol dos comerciais, onde a força do hábito me leva a crer que todos eles querem me ludibriar, mostrando a belaza até do que é infinitamente feio.

Por outro lado, tenho comtemplado a vida de forma distinta do que via antes. Agora nem vejo tanta coisa, mas ouço sons que me elevam aos pensamentos mais sinceros. E nessa atenção redobrada aos ouvidos acabei por sentir algo interessante.

A idéia é a rotina do papel
O céu é a rotina do edifício

O inicio é a rotina do final

A escolha é a rotina do gosto
A rotina do espelho é o oposto

A rotina do perfume é a lembrança
O pé é a rotina da dança

A rotina da garganta é o rock
A rotina da mão é o toque

Julieta é a rotina do queijo
A rotina da boca é o desejo

O vento é a rotina do assobio
A rotina da pele é o arrepio

A rotina do caminho é a direção

A rotina do destino é a certeza
Toda rotina tem a sua beleza.

(Daniel Mattos e Paulo Leite)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

CARA OU COROA


De uns tempos pra cá fiquei feliz com minha intimidade com as palavras, num sei se pelo fato do trabalho, que envolve escrita sempre, ou pelo acesso diário ao blog “crônica do dia”, onde me sinto verdadeiramente em casa.

OBS.: tomei o cuidado de colocar o link ali no canto inferior direito.

E pensando sobre os atos majoritários de minha vida, descobri que ainda falta muito para me tornar mais completo.

É fato que já fiz listas da minha vida, daquilo que deveria acontecer e das situações mais saborosas que me ocorreram, contudo sinto que muito ainda me falta. É verdade que tenho medo da rotina, mas sou extremamente acomodado e nessa contradição sem perdão ando querendo mudanças. Acredito que meu medo do que é em geral trilhado maquinalmente, pela força do hábito, vem vencendo essa disputa.

Quero tantas coisas que venho querendo abraçar o mundo com as pernas, esquecendo de verificar em mim o que realmente quero além da mudança do que já se tornou comum.

Esquisito isso, só o fato de eu escrever já dá nisso, está tudo muito complicado.

Entretanto, fazendo uma busca nos meus impulsos, no que me estimula, descobri que em rigor são meus amigos que fazem isso por mim, que me transformam e nessa metamorfose constante, tudo hoje me instiga para o diferente, para o anormal, mas nada fugindo da minha realidade natural... sou muito acomodado...
Descoberta de hoje: penso bastante antes de qualquer decisão.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

DO CÓDIGO

DECLARAÇÕES DOS DIREITOS DO POETA

Artigo I
Todo poeta tem direito ao silêncio. A fazer. A escutar. A esculpir. Silêncio. Todo poeta tem direito ao calado. Ao mudo. Ao invisível. Ao fantasma. Todo poeta tem direito ao nada.

Artigo II
Todo poeta tem direito à Lua. À mãe. Às mulheres de fases. Às musas inspiradoras. Às noites. Todo poeta tem direito às lobas. Aos uivos. À música. À inspiração. Todo poeta tem direito a um poeta do sexo composto.

Artigo III
Todo poeta tem direito à delicadeza. Ao sexo com amor. Suave. Lento. Todo poeta tem direito às preliminares sem sexo. Ao amor platônico. Ao amor cortês. Todo poeta tem direito a um amor qualquer.

Artigo IV
Todo poeta tem direito a miragens. A olhar uma coisa e ver outra. A transformar pedra em poesia. Todo poeta tem direito à loucura. Ao internamento. Ao pátio. Ao choque etérico.Todo poeta tem direito ao delírio. Ao surto. Ao alvoroço. Todo poeta tem direito ao torto.

Artigo V
Todo poeta tem direito aos caminhos. A pular muros. A abrir buracos. A cruzar cercas. Todo poeta tem direito ao relento. Ao passo de tartaruga. Ao atraso. Todo poeta tem direito ao acaso. Às oportunidades. Às possibilidades. Aos desvios. Todo poeta tem direito aos descaminhos.

Artigo VI
Todo poeta tem direito ao passado. Ao que foi sem deixar de ser. Ao que nunca houve, mas deveria ter havido. À memória inventada. Todo poeta tem direito à alma fotografada. À câmara escura. Ao negativo. Ao olvido. Todo poeta tem direito ao perdido.

Artigo VII
Todo poeta tem direito à infância. Ao seio. Ao colo. Ao cheiro. Todo poeta tem direito ao jogo. À brincadeira. À besteira. Ao trocadilho. Todo poeta tem direito à rua. Ao campo. Ao sereno. Todo poeta tem direito ao brinquedo.

Artigo VIII
Todo poeta tem direito ao futuro. À brecha no escuro. Ao buraco da fechadura. Todo poeta tem direito ao sono. Ao sonho dormindo. Ao sonho acordado. Ao sonho assanhado. Todo poeta tem direito ao perfeito. Ao seu jeito. Ao defeito. Todo poeta tem direito ao esquerdo.

Artigo IX
Todo poeta tem direito à rima. À prima. Às meninas. Todo poeta tem direito ao verso. À frente. Ao lado de cá e ao lado de lá. Todo poeta tem direito ao avesso. Ao branco. Ao preto. Aos lilases. Todo poeta tem direito a explosões solares.

Artigo X
Todo poeta tem direito à palavra. Ao dicionário e à gramática. À exceção e à licença. Todo poeta tem direito ao símbolo. Ao signo. Ao zodíaco. Todo poeta tem direito à metáfora. Ao dentro do fora. Ao fora do dentro. Ao neologismo. Todo poeta tem direito ao umbigo.

Artigo XI
Todo poeta tem direito ao ócio. Ao vício. Ao troço. Todo poeta tem direito ao descanso. E ao descanso do descanso. Ao enfado criativo. Todo poeta tem direito às redes. Às varandas. Aos cochilos. Todo poeta tem direito ao mimos. Aos regaços. Aos mamilos. Todo poeta tem direito ao tranqüilo.

Artigo Final
Todo poeta tem direito à paz. Ao canteiro. Ao carinho. Em um poeta — por direito, se não por favor — não se bate nem com a palavra Flor.

(Eduardo Loureiro Jr.)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Fragmentos

"Eram quase ave-marias. A sombra do crepúsculo ia de manso derramando-se pelas devesas silenciosas. A favor daquela funda e solene mudez, ouvia-se o débil marulho das águas do ribeiro, escorregando sob a úmida e sombria abóbada do vergel; um sabiá, pousado na mais alta grimpa da paineira, mandava ao longe os ecos do seu hino preguiçosamente cadenciado, com que parece estar acalentando a natureza prestes a adormecer debaixo das asas próprias da noite."

(O seminarista - Bernardo Guimarães;1872 )

terça-feira, 20 de maio de 2008

Da série "crônicas que vi por ai" (primeira parte)


Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, levanta os braços,sorri e dispara:
"eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também".

No entanto, passado o efeito do uí­sque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapeuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição.

A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animada­ssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, onde "toda ação tem uma reação".

Agir como tribalista tem consequencias, boas e ruins, como tudo na vida. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de lí­ngua, namorar e não ser de ninguém.

Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair muitas vezes com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra,etc, etc, etc. Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram.

Ficar, também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um,dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente esté apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando.

Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como se deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas.

Desconhece a delí­cia de assistir um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçados,roçaando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor.

Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter"alguém para amar".

Já dizia o poeta que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocí­nio, esbarraremos na lição que nos foi passada nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio a confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo), vendem na maioria das vezes a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras. Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição.

No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram.
Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a"comer sal junto até morrer".

Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as licões que nos chegam. A questão não é causal, mas quem sabe correlacional.

Podemos aprender a amar se relacionando.
Trocando experiências,afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos.

E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém.
É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponí­vel de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins.

Ser de todo mundo, não ser de ninguém, é ao mesmo que não ter ninguém também... é não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e a tão temida solidão..........

(Crônica de Mônica Montone)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Cinema Nacional

"Acho que exilado quer dizer, ter uma pai tão atrasado mais tão atrasado que nunca mais volta para a casa"
Filme: O ano em que meus pais saíram de férias